2007-11-29

Conto sobre um Amor Perdido

Ela pediu tanto para que o tempo passasse logo e o levasse embora de vez, ela rezou todos os dias para que o amor que ainda a habitava se esgotasse completamente, pois seu coração estava cansado demais de sentir sempre a mesma saudade, a mesma dor, a mesma solidão.
E quanto mais ela suplicava para que o tempo o apagasse de dentro dela mas ele parecia insistir em matê-lo vivo.
Tudo que ela mais desejava era acordar um certo dia e perceber que as correntes que a prendia àquele amor insano haviam sido libertadas.
Mas é claro que esse dia não chegou, ele nunca chega, ou melhor, não dessa forma.
As coisas começaram a acontecer gradativamente.
Um dia ela ouviu aquela música que todas ás vezes fazia vir á tona os seus sentimentos reprimidos, aquela música que tem um pouco dela, um pouco dele e um pouco da história dos dois, aquela música que ele cantou pra ela, que embalou momentos de ternura, ou que foi ouvida aos prantos após uma briga, e de repente, ela se deu em conta que a canção não lhe trouxe um turbilhão de lembranças, que a escutou como uma música qualquer.
Um dia ela se surpreendeu achando estranho lembrar de um momento vivido com ele, pois aquilo pareceu algo muito distante do seu mundo e da sua realidade atual.
Um dia ela se viu gargalhando com seus amigos e sentiu-se simplesmente feliz.
Um dia ela se lembrou dos planos que foram interrompidos e percebeu que agora só existia um vazio no lugar de tudo e não aquela tristeza dilacerante que antes assolava seu peito.
Um dia ela viu outra pessoa ocupando o lugar que ela achou que seria seu eternamente, viu outra história nascendo e apagando a sua, mas se deu em conta que nem isso que em outros tempos era algo que a matava por dentro, já não lhe causava mais o mesmo sofrimento.
Porque ela simplesmente acostumou-se a esquecer.
Porque o tempo passou devagar, mas devagar também foi varrendo os resíduos de sentimentos que ainda restavam.
Às vezes ela ainda lembra, mas não consegue desejar que volte.
Às vezes ela ainda sente saudades, mas não consegue mais chorar.
Às vezes ela até sabe que o amor que sentia não morreu completamente, mas sabe também que o que restou é pouco demais para lhe causar dor.

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Jana disse...

Eu vi um filme aqui na minha mente rs

Beijos

Sentimentalidades-Todas disse...

Bom, eu que passei tanto tempo afastada de seus segredos, tive uma linda - e também assutadora - surpresa ao ver as idas e vindas do meu coração descritas de forma tão tocante.

Ao lê os comentários, percebi que vc conseguiu falar ao coração de muitas, escreveste a história de muitas....

Então deve ser essa a invariável trajetória dos corações que percebem a pequenez do amor que não lhes faz mais sofrer...

bjos filha!!!!

Cleopatra disse...

Bom eu me vejo em cada palavra, em cada frase e em cada paragrafo...Mas eu creio que eu vou da a volta por cima...Que as coisas vão mudar, não que eu queira o mal dele...Mas sei que um dia ele virá atras de mim...Ai sim vai ser a minha vez de dizer tudo que ele me disse, mas de uma forma bem mais firme e segura...

Bjim!!!!!

Mônica disse...

ô coisa mais lindaaaaaa!!!

Ultra Violet disse...

Eh chega um tempo em que a gente tem que escolher o que pesa mais; amar ou sofrer?

Amar eh bom quando se ama junto. Soh amar eh bom, mas amar soh eh triste.

Bjs.