2008-03-26

SOBRE AMOR E LIBERDADE

E mais uma vez como já aconteceu em tantas outras fui duramente criticada por minha maneira de amar.
Meu Deus será que eu sou tão anormal mesmo por conseguir conceber que amor e liberdade caminhem juntos perfeitamente?
Eu e meu marido ás vezes saímos sem o outro, não vivemos sempre grudados, temos nossas necessidades de individualismo e isso não é um motivo para drama em nossa relação.
Semana passada teve um show que tínhamos programado de ir, mas no dia eu acordei muito cedo fiquei atarefada o dia todo e á noite estava um caco. Ele estava animado, há tempos falávamos desse show e eu não achei justo proibi-lo de ir simplesmente pq eu estava cansada e havia perdido a vontade.
Ele foi e depois me contou que passou a noite dando explicações para conhecidos espantados com a minha ausência. Se não bastasse levei o maior sermão de algumas amigas sobre ser muito boba, que isso não é certo dentro de um casamento e blábláblá...
Mas sinceramente minha concepção sobre o amor é outra e graças a Deus a do meu marido coincide com a minha. Eu já saí sem ele em outras oportunidades também, se existe confiança e respeito sinceramente não entendo o espanto e as críticas das pessoas.
Ninguém é dono de ninguém. E isso não foi algo que nasci sabendo. Eu aprendi duramente que se alguém quiser ir embora corrente nenhuma vai prendê-la a mim. Então deixo livre. É muito agressivo tolhir o outro, castrar suas vontades, podar seus anseios a troco do que? das convenções estipuladas pela sociedade? de algumas doses da sensação egoística de domínio? Casamento não é prisão. Amor não é prisão. Vejo tantos relacionamentos naufragando pela falta desse entendimento. Acho bonito quando somos “nós”, mas não sou hipócrita a ponto de dizer que virei uma fusão. Continuo sendo eu, com minhas individualidades, minhas necessidades de espaço, de introspecção de interação com outras pessoas que não só o ser amado... e quanto mais sou compreendida nisso mais o meu amor se faz crescer.
Termino esse texto com a transcrição de uma passagem do livro “O Profeta” de Khalil Gibran, em que ele fala sobre o matrimônio e traduz lindamente minha maneira de pensar acerca disso. Respeito quem pensa diferente, mas sugiro que pelo menos reflita sobre o assunto. Lindo dia para todos!

"Então Almitra falou novamente e disse,
E quanto ao matrimônio, Mestre, o que me dizes?
E ele repondeu:
Nascestes juntos, e juntos ficareis para sempre.
Estareis juntos quando as asas brancas da morte acabarem com os vossos dias.
Ah, estareis juntos mesmo na memória silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa união e que os ventos celestiais possam dançar entre vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um cativeiro.
Deixai antes que seja um mar ondulante entre as margens das vossas almas.
Enchei a taça um do outro, mas não bebais de uma só taça.
Parti o vosso pão ao meio, mas não comais somente do mesmo pão.
Cantai e dançai juntos, mas também deixai que cada um de vós os faça sozinho, como as cordas de uma lira estão sozinhas, embora vibrem ao som da mesma música.
Entregai os vossos corações, mas não ao cuidado um do outro, pois só a mão da vida pode conter os vossos corações.
E ficai juntos mas não demasiado juntos:
Pois os pilares que sustentam o templo estão afastados, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.”

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Lorita disse...

Amiga, concordo com vc! É bem aquilo de "se amas alguém deixe-o livre, se voltar a ti é pq é teu, se nao voltar, é pq nunca foi". Tem gente que tem medo desse "nunca foi" e prende e vive num inferno.
E á merda toda a sociedade e seus conceitos hipócritas!

bjm

Marcelo Martins disse...

Concordo com a loira aí em cima.
Respeitar o espaço alheio é fundamental.

Smack!!!

Edna Federico disse...

Acho que você está certa, casamento não é prisão.
Somos pessoas diferentes, com gostos diferentes, com pensamentos diferentes e temos que respeitar isso.
Eu e meu marido gostamos de fazer os programas juntos, ainda mais agora com filho, mas também fazemos programas separados algumas vezes.
Saio com minhas amigas pra jantar, almoçar e ele com os amigos dele...tudo muito saudável.
Beijo

Ingrith disse...

Ninguem é de ninguem, parabéns por serem tão maduros! Não é todo mundo que consegue!

Narradora disse...

Concordo com você.
Acredito que é preciso ser completa, estar inteira, pra amar alguém verdadeiramente, sem que a relação seja de dependência.
Bjs.

Tata disse...

(Palmas)...parabéns, penso igualzinha a você, e digo mais, já terminaram namoro comigo justamente por eu dar esse espaço, viu.

Priscila disse...

Concordo com vc! E se meu namorado não estivesse do outro lado do mundo também manteria esse esquema. Mas na atual conjuntura dos fatos espaço é o que não me falta e tem atrapalhado bastante, não tenho como negar.
E eu não tenho tanta tolerância com os que não pensam assim e acham que devem grudar no outro antes que alguém mais o faça.
Beijo!

Menina Gi disse...

Concordo plenamente. Acho que os casamentos se transformaram em prisões e como consequência vemos tantos divórcios e amor acabando. A falta de individualidade pode ser exaustiva.

=*

Juliana Caribé disse...

Eu concordo com você e assino embaixo. Liberdade e amor são sinônimos. E também acho que não adianta amarrar alguém. Se a pessoa quiser ir, nada a segurará. É melhor deixar livre...
E o trecho que você tirou do livro é lindo!

PS. Vou te linkar, pode?

Beijos.

Dea disse...

Quando li o texto pensei: "alguém pensa como eu" ai vim comentar e vi os comentários das pessoas acima, UHUU não penso sozinha!

incrível,falava sobre isso com umas amigas e amigos na terça e ontem e todos pensavam igual sobre amar,ciúmes e coisinhas normais entre casal. eu fui a unica "do contra". No momento odiei ter inciado o assunto com eles por 2 vezes (com amigos diferentes,foi quase uma enquete),por que todos,todos mesmo quiseram julgar minha forma de amar.
resumindo: ninguém tem direito de julgar a forma de amar de ninguém. O amor sempre é igual,contudo a fôrma do amor para cada um vem diferente.

foi ótimo o que você escreveu,e de coração.

:*

Leandro disse...

As pessoas comuns, as ditas "normais", são medíocres.
Não se deixe abater pela mediocridade da massa.